quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A Bahia, ahh a Bahia


Já era hora de um post 2010! Hehe

Pior é não ter palavras. Nada pra dizer. Ou talvez coisa demais a dizer e pouco tempo pra organizar. Ou muita preguiça pra parar e fazer isso.

Mas vamos lá. Falar sobre Salvador... Bahia.

É pode ser. Tema fácil. Beleza, nobreza, calor, festa, praia, alegria, pobreza, cordeiros, política, sujeira, besteira... amor e desprezo. Ontem parece que vi Salvador pela primeira vez. Lembro bem ainda. Uma cidade sem fim, mesmo vista de cima, de um avião. Um amontoado de prédios lindos e malocas caindo aos pedaços, tudo meio lado a lado, tudo agregado, mas sem deixar de ser altamente separado. E hoje, quase 3 anos depois, ainda é esse olhar de decepção e fascínio que ainda me vem, tantas vezes.

Quando cheguei aqui, de férias, pela primeira vez, foi choque atrás de choque. Minha percepção de Bahia vista de cima estava lá em Porto Seguro, que tinha conhecido muitos anos antes. Uma cidade de mar verde e coqueiros, construções simpáticas, lindo, lindo. Aí vejo Salvador. Essa selva de pedra e mar verde com coqueiros. Depois, ao descer, vem o Pelourinho, logo à noite. Samba, descompromisso, alegria. Em seguida, mais um choque. Pobreza, pedintes, ataques, miséria grossa, agressiva em todos os sentidos. No outro dia, o Porto da Barra. Um tantinho de areia com milhares de cabeças humanas, mal tendo espaço pra sentar. Uma praia sem coqueiros. Mais um choque. Em seguida, porém, um mar verde de presente. Sem ondas. Quentinho.

Depois veio o paraíso. Entre Jaguaribes, Ribeiras, Praias do Forte e Itapuãs, soube que tinha sido roubada. E fui. Ou talvez eu que tenha roubado um pouco dessa cidade pra dentro de mim.

Dizem que o gaúcho é um povo muito apegado às suas origens, às suas tradições, mas, embora isso seja sim verdade, nada se compara à baianidade. Aqui quem é de fora é baiano. Quem é “de dentro”, é baiano ao cubo. Todos os dias debatemos com apaixonada divergência de opiniões os temas cotidianos da Bahia – os músicos baianos, as músicas baianas, as mudanças no trânsito, a política, o carnaval, a ponte de Itaparica ou o que seja, mas desde que seja daqui. É muito amor. E essa é uma terra que inspira amor. E horror.

O que é que a Bahia tem, me pergunto e me perguntam... tem tudo, me respondo. Tudo de bom e de ruim. Por isso ela chega a pesar na gente. É linda de tirar o fôlego, é alegre de fazer explodir, é simples de não ter palavras pra explicar, é desigual de uma desigualdade humana e cruel que faz o pobre estar ao lado do rico, mas ainda assim completamente separados. É desorganizada de uma desordem simpática que faz dizer: relaxeeee. É amada de uma forma relapsa por todos nós, que acabamos deixando ela ser como é com a desculpa do amor, que se fosse um amor de verdade ia fazer com que lutássemos mais pela melhora de seus problemas.

A verdade é que Salvador, esse pedaço imenso de Bahia, me choca, me entristece, me fascina, me alegra, me irrita, me ilumina e me desperta todos os dias pra realidade de estar na Bahia. E a Bahia, o que é, meu irmão? Inexplicável. É apenas Bahia.


2 comentários:

com açúcar com afeto disse...

A bahia é um sonho. Todos os dias acordamos pra viver esse pedaço de paraiso misturado com aflição ao ver tantas miserias nas ruas. Mas ainda assim, um doce sonho viver aqui. Eu que sou a baiana ao cubo, não me reconheceria em outro lugar. Lindo texto, Liti! Só uma baiana de verdade pode hamornizar tais palavras.

Brenno disse...

To com saudades da nossa Bahia!!!!