Eu comecei a escrever com oito anos. Poesia, eu me refiro. Ou seja, logo que aprendi a escrever de fato, já comecei a me meter à escritora. Mas eu tinha muita vergonha das coisas que eu escrevia naquela época. Não mostrava pra ninguém. Bom, pra ser justa preciso dizer que tinha vergonha de quase tudo então. Enfim, com uns 10, 11 anos, já acumulava uma ostensiva papelada (vamos deixar claro que naquela época computador era peça rara, e nem faz tanto tempo assim), anotações de poeminhas, coisinhas que eu julgava minha obra.
Creio que hoje posso me considerar escritora, apesar de não ter (ainda) livros publicados. Mas afinal, uma pessoa que passa escrevendo o dia todo no trabalho, e quando chega em casa pára na frente do computador pra escrever ainda mais seria o que, se não escritora?
Apesar de maravilhoso como maneira de expressar sentimentos, de materializar fantasias, como forma de criar novos mundos e novas pessoas e transmitir mensagens, escrever pode fazer você ser muito só em alguns momentos. Afinal de contas, como as pessoas podem entender que você ache um programão ficar em casa num dia de sol escrevendo compulsivamente?
Sempre fica uma coisa meio "essa é a Liti" e depois, em voz mais baixa "ela escreve". É uma coisa respeitosa, mas tipo "ela tem outro mundo dentro dela. Um mundo só dela".
Tem gente que acha patético, aliás. Gente que acha simplesmente uó uma pessoa ficar falando de sentimentos. Bem tem gente acha uó uma pessoa ter sentimentos. Fazer o que, cada um cada um.
O fato é que esse mundo interior, essas ideias, essas fantasias e pensamentos são algo só seu. Embora todos possam ler, se encantar, se apaixonar, amar e odiar uma obra, o que inspirou o escritor, o que passou na cabeça dele pra escrever aquilo é algo só dele. Até mesmo o real significado do que foi escrito é só dele. A não ser que ele explique, ninguém pode saber de fato.
E somente uma pessoa que vive com esse turbilhão de personagem, palavras e situações em sua cabeça pode entender outra pessoa que também vive com isso. Pode compreender esse mundo particular.
Imaginem então minha grata surpresa quando minha sobrinha Bibiana começou a ensaiar uns versinhos, lá pelos... oito anos. rsrsr. E parece que a coisa vem crescendo. Vejam que a precoce menininha acabe de iniciar um blog. Eu fiquei maravilhada, babando, confesso. Não teria o direito? Afinal, é minha sobrinha poxa!
Bibi, sem querer parecer exibida, tem muitas coisas da titia. Tantas que as vezes penso que se fosse minha filha não era mais parecida comigo. Não fisicamente. Nesse sentido, é a cara da mãe dela. Mas o jeito, os gostos, a maneira de sentir a vida me lembra tanto eu mesma!!! rsrsrs
E agora acho que posso acreditar que essa semelhança vai se estender por outros campos da vida. Afinal, quem sabe, Bibi um dia pode vir a ser escritora, igual à titia...
Quem quiser conferir:
http://pensardelnovo.blogspot.com/
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Tudo
Eu não sou da noiteEu sou do dia e é as claras que eu vivo muito.
Eu não sou da modéstia,
Eu sou do exagero e é aos goles largos que eu sinto o mundo.
Eu não sou da segurança,
Eu amo a liberdade e a liberdade me faz segura.
Eu não sou das coisas elaboradas,
Eu gosto da simplicidade e o que é simples me fascina.
Eu não sou do amor,
O amor é meu e é amando que eu conheço a vida.
Eu não sou da matéria,
Eu vivo nas ideias e a imaginação é o meu impulso.
Eu não sou do muito,
Eu sou do pouco e de pouco em pouco, eu tenho tudo.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
O vício do costume
O homem se acostuma com tudo...
Nós nos acostumamos com o frio, o calor, com comidas das quais não gostamos, com músicas que não apreciamos, com mentiras, tão repetidas, que pensamos ser verdade. Nós nos acostumamos com sapatos desconfortáveis que estão na moda, com regras de etiqueta que não dizem nada, com um tom de voz moderado, mesmo quando queremos gritar de emoção.
É realmente incrível, mas nós nos acostumamos a passar depressa e não reparar nos tons do céu ao final do dia. Nos acostumamos a comer depressa e não sentir o gosto da comida. Nos acostumamos a sair depressa e não abraçar nossa família. Nos acostumamos a viver como prisioneiros para fugir da violência, ao invés de tentar descobrir suas causas. Nos acostumamos a rir da roubalheira dos políticos ao invés de repensar o sistema em que vivemos. Nos acostumamos com injustiça e desigualdade em vez de lutar por nossos direitos.
É impressionante a quantidade de coisas com as quais nos acostumamos. Nos acostumamos a não chorar quando queremos porque “não pega bem”. Nos acostumamos a não beijar as pessoas porque não somos sentimentais. Nos acostumamos a fingir que não amamos para mostrar que somos independentes. Nos acostumamos a esquecer o prazer de fazer o que gostamos para fazer o que “dá dinheiro”. Nos acostumamos a ver coisas mal feitas e não tentar mudar porque “o mundo é assim”. Nos acostumamos a não dar tudo de nós porque um pouco está bom.
Entre tudo que nos acostumamos está a desumanização do homem. Nos acostumamos a passar por homens como nós jogados no chão, pedindo esmolas, e não olhar para eles. Nos acostumamos a pensar que o sentido da vida está em ter muito e não em ser melhor. Nos acostumamos a abandonar nossos sonhos porque “não podemos mudar o mundo”. Nos acostumamos a sermos cruéis e pensar que somos sensatos. Nos acostumamos a passar pela vida sem descobrir seu sentido.
Nós nos acostumamos com o frio, o calor, com comidas das quais não gostamos, com músicas que não apreciamos, com mentiras, tão repetidas, que pensamos ser verdade. Nós nos acostumamos com sapatos desconfortáveis que estão na moda, com regras de etiqueta que não dizem nada, com um tom de voz moderado, mesmo quando queremos gritar de emoção.
É realmente incrível, mas nós nos acostumamos a passar depressa e não reparar nos tons do céu ao final do dia. Nos acostumamos a comer depressa e não sentir o gosto da comida. Nos acostumamos a sair depressa e não abraçar nossa família. Nos acostumamos a viver como prisioneiros para fugir da violência, ao invés de tentar descobrir suas causas. Nos acostumamos a rir da roubalheira dos políticos ao invés de repensar o sistema em que vivemos. Nos acostumamos com injustiça e desigualdade em vez de lutar por nossos direitos.
É impressionante a quantidade de coisas com as quais nos acostumamos. Nos acostumamos a não chorar quando queremos porque “não pega bem”. Nos acostumamos a não beijar as pessoas porque não somos sentimentais. Nos acostumamos a fingir que não amamos para mostrar que somos independentes. Nos acostumamos a esquecer o prazer de fazer o que gostamos para fazer o que “dá dinheiro”. Nos acostumamos a ver coisas mal feitas e não tentar mudar porque “o mundo é assim”. Nos acostumamos a não dar tudo de nós porque um pouco está bom.
Entre tudo que nos acostumamos está a desumanização do homem. Nos acostumamos a passar por homens como nós jogados no chão, pedindo esmolas, e não olhar para eles. Nos acostumamos a pensar que o sentido da vida está em ter muito e não em ser melhor. Nos acostumamos a abandonar nossos sonhos porque “não podemos mudar o mundo”. Nos acostumamos a sermos cruéis e pensar que somos sensatos. Nos acostumamos a passar pela vida sem descobrir seu sentido.
sábado, 17 de outubro de 2009
Saudades... saudades...
Saudades, ah saudades. Droga de sentimento. Quantas vezes já ouvi que esta palavra é especial. Que só existe em português. Quantas vezes ouvi pessoas fascinadas por haver uma palavra que expressa esse sentimento de falta, de querer algo ou alguém, um momento que passou, uma época que se foi, uma pessoa ausente, um sentimento que não deixou nada. Mas quisera eu que esta palavra não existisse. Queria que a gente nunca precisasse sentir saudades. Que tivéssemos um “vale-mate-sua-saudades”. Uma espécie de bolsa que nos fosse entregue quando nascemos. Você está com saudades da barriga quentinha e segura de sua mãe¿ Não dá nada! Pegue aqui seu “vale-mate-sua-saudades” e passe umas boas horas lá.
Teria que ter um limite de tempo. E um limite de utilização. Isso porque me ocorre agora que, se a coisa fosse assim “free”, ia ter muita gente nunca saindo da barriga da mãe.
Bom, mas as regras de utilização não seriam definidas por esta simples mortal aqui. Deixo isso para o Criador e seus assistentes. O importante é que a gente não precisasse ficar aqui quase morrendo por não ter grana pra visitar a família mais de duas vezes no ano. Não ficasse aqui sentindo uma saudade maluca do amor deles, do carinho deles, das brigas deles até. Do jeitinho de cada um. Da companhia reconfortante daqueles que mais te amam. Na hora que você sentisse essa saudade, poderia pegar seu vale e ir novamente naquele churrasco onde todos estavam reunidos. A música gaudéria pegando, a carne cheirando, de repente vem seu pai com um avental de churrasqueiro realmente ridículo e serve uns petiscos num prato cheio de farinha. Sua mãe vem trazendo a maionese prontinha da cozinha, ralhando sobre como é difícil subir aquelas escadas. Seu irmão peste tenta empenhadamente dar um jeito de te irritar, e quase consegue quando joga maionese no seu cabelo. Sua irmã acorda com cara de ontem e começa a te contar quantos gatinhos conheceu enquanto você, que ainda não pode sair de noite, ficava em casa dormindo cedo. Sim, eu sei o que você está pensando. Depois dessa amostra grátis sobre família, possivelmente já vai estar agradecendo por estar bem longe. Só que você também sabe que não é bem assim. Tem as gargalhadas, as conversas, encostar a cabeça no colo de mamãe, ver o sorriso de papai, partilhar a vida com os irmãos. Fora o churrasco em si, que era digno de nota.
Saudades ainda¿ Que tal usar agora seu vale para aquele dia em que você levou suas duas sobrinhas pra comprar presente de Natal. Fora o medo de que elas se soltassem da sua mão e fossem atropeladas, o pânico de perder uma das duas pestinhas na loja enquanto elas corriam desesperadas diante de tantos brinquedos e a longa explicação sobre sua situação financeira e contabilidade, pra uma criança que te ouve sem entender nada, enquanto olha com uma cara desolada pra uma boneca que parece um sapo e que custa uma fortuna, esse foi um dia maravilhoso. Afinal teve a sensação de segurar aquelas mãozinhas tão confiantes em você, a alegria de ouvir a falação das menininhas enquanto caminhavam pela rua, a alegria de ver a felicidade delas e olhos brilhantes com os presentes. E o amor¿ Ah, o amor tão imenso que encheu todo seu peito e se espalhou pelo corpo, pela alma, quando você parou pra comprar sorvete e viu elas ali sorrindo, todas lambuzadas de calda de chocolate. É, seria bom voltar.
Ou também você poderia voltar naquele dia no qual ficou sozinha em casa com sua cunhada, e vocês conversaram até altas horas e você, que nunca consegue fechar a boca, falou sobre toda sua vida e contou mil histórias, e ela te olhava fascinada e parecia – incrível – querer que você falasse ainda mais. E então você parou um segundo e ficou tão feliz por uma pessoa tão legal e boa ter entrado assim de presente na sua família.
O vale-saudades poderia evitar que você tivesse que ver um amigo partir, ou deixar um amigo longe e pensar que não sabe como vai poder ver graça em andar por aí sem ser na companhia daquela pessoa que tanto te fez sorrir, que tanto te compreende. Você poderia acionar seu precioso vale e voltar naquele dia no qual sentaram na praia e você revelou aquele segredo absurdo, e teve certeza que sua amiga ia sair correndo ou te olhar com a maior cara de “ihhh, essa é maluca, coitada”. Mas não. Ela te olhou com o olhar mais doce do mundo e disse apenas: “eu também sinto isso”. Você poderia voltar no dia no qual correram ruas no carnaval, e ela parecia tão fascinada com tudo, e pularam juntas parecendo duas crianças –, mas na verdade são duas mulheres respeitáveis na casa dos 30 – e sorriram como se tivessem acabado de comer chocolate pela primeira vez. Ou aquele dia no qual você pensou que ninguém poderia entender a dor que você estava sentindo, mas ela segurou sua mão e apenas lhe deu um abraço, e você sentiu que nada poderia ser mais compreensão que aquilo.
Poderia voltar no dia que estava em uma casa cheia de gente, e todos pareciam ser tão maravilhosos, e alguém pegou um violão e todos cantaram, alguns horrivelmente desafinados, mas, no fim, você sabia que nunca mais seria só, porque tinha amigos. Poderia voltar no dia que passou na praia ao lado de uma amiga que você não via há tanto tempo, mas, conversando, você percebeu que aquela amizade jamais ia morrer.
Com seu vale, você ainda poderia voltar em luais no qual olhou nos olhos de alguém e percebeu que podia amar pela primeira vez na vida. Em dias nos quais você mandou bilhetinhos de amor pro seu colega de aula e ele veio e teu um beijo bem ali na frente de todos. Poderia voltar pra aulas de tango das quais você saiu de mãos dadas e rindo tolamente, sabendo que estava apaixonada. Poderia voltar pro dia no qual recebeu uma mensagem de celular dizendo “eu te amo” e ficou fascinada e morrendo de medo pelo que estava vivendo.
E se tivesse esse vale... ah eu poderia beijar esse vale! Isso porque ele poderia trazer de volta aquele dia no qual você ficou sentada na frente de uma pessoa que te gerou, com quem viveu sua vida toda, e conversou até de madrugada sobre a vida, os sonhos e seus pensamentos, e no fim ouviu ele dizer: “nossa, o tempo passou tão rápido! Eu nem percebi.” E então você soube que algo tinha se passado e que aquele amor de pai e filha era mais. Era também um amor de amigos. Poderia voltar em momentos nos quais vocês dois viajaram juntos e se sentaram em praias, restaurantes ou bancos de praça, e apenas desfrutaram da companhia um do outro.
Na falta de um vale-saudades, resta reviver na lembrança... resta viver bem cada minuto pra que ele valha sempre uma lembrança. E dizem ainda aquelas pessoas que se deliciam com as saudades, que, se sentimos falta, é porque vivemos bem. Então, eu vivi bem demais. E já que ainda estou vivendo, que venham as saudades!
Teria que ter um limite de tempo. E um limite de utilização. Isso porque me ocorre agora que, se a coisa fosse assim “free”, ia ter muita gente nunca saindo da barriga da mãe.
Bom, mas as regras de utilização não seriam definidas por esta simples mortal aqui. Deixo isso para o Criador e seus assistentes. O importante é que a gente não precisasse ficar aqui quase morrendo por não ter grana pra visitar a família mais de duas vezes no ano. Não ficasse aqui sentindo uma saudade maluca do amor deles, do carinho deles, das brigas deles até. Do jeitinho de cada um. Da companhia reconfortante daqueles que mais te amam. Na hora que você sentisse essa saudade, poderia pegar seu vale e ir novamente naquele churrasco onde todos estavam reunidos. A música gaudéria pegando, a carne cheirando, de repente vem seu pai com um avental de churrasqueiro realmente ridículo e serve uns petiscos num prato cheio de farinha. Sua mãe vem trazendo a maionese prontinha da cozinha, ralhando sobre como é difícil subir aquelas escadas. Seu irmão peste tenta empenhadamente dar um jeito de te irritar, e quase consegue quando joga maionese no seu cabelo. Sua irmã acorda com cara de ontem e começa a te contar quantos gatinhos conheceu enquanto você, que ainda não pode sair de noite, ficava em casa dormindo cedo. Sim, eu sei o que você está pensando. Depois dessa amostra grátis sobre família, possivelmente já vai estar agradecendo por estar bem longe. Só que você também sabe que não é bem assim. Tem as gargalhadas, as conversas, encostar a cabeça no colo de mamãe, ver o sorriso de papai, partilhar a vida com os irmãos. Fora o churrasco em si, que era digno de nota.
Saudades ainda¿ Que tal usar agora seu vale para aquele dia em que você levou suas duas sobrinhas pra comprar presente de Natal. Fora o medo de que elas se soltassem da sua mão e fossem atropeladas, o pânico de perder uma das duas pestinhas na loja enquanto elas corriam desesperadas diante de tantos brinquedos e a longa explicação sobre sua situação financeira e contabilidade, pra uma criança que te ouve sem entender nada, enquanto olha com uma cara desolada pra uma boneca que parece um sapo e que custa uma fortuna, esse foi um dia maravilhoso. Afinal teve a sensação de segurar aquelas mãozinhas tão confiantes em você, a alegria de ouvir a falação das menininhas enquanto caminhavam pela rua, a alegria de ver a felicidade delas e olhos brilhantes com os presentes. E o amor¿ Ah, o amor tão imenso que encheu todo seu peito e se espalhou pelo corpo, pela alma, quando você parou pra comprar sorvete e viu elas ali sorrindo, todas lambuzadas de calda de chocolate. É, seria bom voltar.
Ou também você poderia voltar naquele dia no qual ficou sozinha em casa com sua cunhada, e vocês conversaram até altas horas e você, que nunca consegue fechar a boca, falou sobre toda sua vida e contou mil histórias, e ela te olhava fascinada e parecia – incrível – querer que você falasse ainda mais. E então você parou um segundo e ficou tão feliz por uma pessoa tão legal e boa ter entrado assim de presente na sua família.
O vale-saudades poderia evitar que você tivesse que ver um amigo partir, ou deixar um amigo longe e pensar que não sabe como vai poder ver graça em andar por aí sem ser na companhia daquela pessoa que tanto te fez sorrir, que tanto te compreende. Você poderia acionar seu precioso vale e voltar naquele dia no qual sentaram na praia e você revelou aquele segredo absurdo, e teve certeza que sua amiga ia sair correndo ou te olhar com a maior cara de “ihhh, essa é maluca, coitada”. Mas não. Ela te olhou com o olhar mais doce do mundo e disse apenas: “eu também sinto isso”. Você poderia voltar no dia no qual correram ruas no carnaval, e ela parecia tão fascinada com tudo, e pularam juntas parecendo duas crianças –, mas na verdade são duas mulheres respeitáveis na casa dos 30 – e sorriram como se tivessem acabado de comer chocolate pela primeira vez. Ou aquele dia no qual você pensou que ninguém poderia entender a dor que você estava sentindo, mas ela segurou sua mão e apenas lhe deu um abraço, e você sentiu que nada poderia ser mais compreensão que aquilo.
Poderia voltar no dia que estava em uma casa cheia de gente, e todos pareciam ser tão maravilhosos, e alguém pegou um violão e todos cantaram, alguns horrivelmente desafinados, mas, no fim, você sabia que nunca mais seria só, porque tinha amigos. Poderia voltar no dia que passou na praia ao lado de uma amiga que você não via há tanto tempo, mas, conversando, você percebeu que aquela amizade jamais ia morrer.
Com seu vale, você ainda poderia voltar em luais no qual olhou nos olhos de alguém e percebeu que podia amar pela primeira vez na vida. Em dias nos quais você mandou bilhetinhos de amor pro seu colega de aula e ele veio e teu um beijo bem ali na frente de todos. Poderia voltar pra aulas de tango das quais você saiu de mãos dadas e rindo tolamente, sabendo que estava apaixonada. Poderia voltar pro dia no qual recebeu uma mensagem de celular dizendo “eu te amo” e ficou fascinada e morrendo de medo pelo que estava vivendo.
E se tivesse esse vale... ah eu poderia beijar esse vale! Isso porque ele poderia trazer de volta aquele dia no qual você ficou sentada na frente de uma pessoa que te gerou, com quem viveu sua vida toda, e conversou até de madrugada sobre a vida, os sonhos e seus pensamentos, e no fim ouviu ele dizer: “nossa, o tempo passou tão rápido! Eu nem percebi.” E então você soube que algo tinha se passado e que aquele amor de pai e filha era mais. Era também um amor de amigos. Poderia voltar em momentos nos quais vocês dois viajaram juntos e se sentaram em praias, restaurantes ou bancos de praça, e apenas desfrutaram da companhia um do outro.
Na falta de um vale-saudades, resta reviver na lembrança... resta viver bem cada minuto pra que ele valha sempre uma lembrança. E dizem ainda aquelas pessoas que se deliciam com as saudades, que, se sentimos falta, é porque vivemos bem. Então, eu vivi bem demais. E já que ainda estou vivendo, que venham as saudades!
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
A crônica inacabada
Sobrevoando o oceano rumo ao meu amado e sedutor Brasil, me sinto, de repente (e até parece que isso é raro), tentada a refletir um pouco sobre minha vida e tudo que aconteceu, e ainda há de acontecer, pois minha crônica ainda não está acabada. Belos e interessantes, por vezes insensatos, por vezes fascinantes, são os caminhos que se apresentam na vida.
Ao realizar parte de um sonho e conhecer um pedacinho da Europa, não pude deixar de pensar em algo curioso e, por que não, bonito. Há anos atrás, um menino saia do prédio antigo do então iniciante, mas hoje principal jornal da cidade de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, com sua pilha de jornais embaixo do braço, seu sorriso pequeno, mas verdadeiro, no rosto, e andava pela cidade a entregar seus jornais. O nome deste menino era Euclides, que, muitos anos depois casou-se e teve três filhos – Cinara, Litiane e Thiago. Abandonou Novo Hamburgo pela capital Porto Alegre, viveu, criou sua família, e encerrou sua crônica em 04 de abril de 2001, jovem – aos 53 anos -, mas com o louvor de um lutador que vence muito, mas não perde a humildade. Meu pai Euclides teve o ponto final de sua crônica colocado por um câncer.
Bom, mais de 40 anos depois do menino Euclides entregar seus jornais por Novo Hamburgo, sua filha Litiane forma-se em jornalismo na cidade catarinense de Tubarão, mas, depois de muitas idas e vindas, vai parar onde? Em Novo Hamburgo, no mesmo jornal – hoje já em prédio novo -, na redação, e, um ano e meio depois de ingressar na empresa, escreve uma crônica sobre esta sutileza da vida, enquanto sobrevoa o oceano, em retorno da Europa, numa viagem feita a trabalho.
Então pergunto: há algo mais fabuloso que escrever diariamente a crônica de nossas vidas? Hoje, esta que escrevo não tem fim, está inacabada, mas não como algo que se deixou de fazer, mas sim como algo que a cada dia podemos acrescentar.
Acho que é preciso ter atenção a nossas crônicas inacabadas. Enfeitá-las, utilizar recursos para enriquecê-las, procurar palavras que se encaixem, escrever corretamente. Assim, quando vier o inevitável ponto final, ela será uma bela obra, que há de enriquecer outras crônicas, que ainda estão inacabadas.
Ao realizar parte de um sonho e conhecer um pedacinho da Europa, não pude deixar de pensar em algo curioso e, por que não, bonito. Há anos atrás, um menino saia do prédio antigo do então iniciante, mas hoje principal jornal da cidade de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, com sua pilha de jornais embaixo do braço, seu sorriso pequeno, mas verdadeiro, no rosto, e andava pela cidade a entregar seus jornais. O nome deste menino era Euclides, que, muitos anos depois casou-se e teve três filhos – Cinara, Litiane e Thiago. Abandonou Novo Hamburgo pela capital Porto Alegre, viveu, criou sua família, e encerrou sua crônica em 04 de abril de 2001, jovem – aos 53 anos -, mas com o louvor de um lutador que vence muito, mas não perde a humildade. Meu pai Euclides teve o ponto final de sua crônica colocado por um câncer.
Bom, mais de 40 anos depois do menino Euclides entregar seus jornais por Novo Hamburgo, sua filha Litiane forma-se em jornalismo na cidade catarinense de Tubarão, mas, depois de muitas idas e vindas, vai parar onde? Em Novo Hamburgo, no mesmo jornal – hoje já em prédio novo -, na redação, e, um ano e meio depois de ingressar na empresa, escreve uma crônica sobre esta sutileza da vida, enquanto sobrevoa o oceano, em retorno da Europa, numa viagem feita a trabalho.
Então pergunto: há algo mais fabuloso que escrever diariamente a crônica de nossas vidas? Hoje, esta que escrevo não tem fim, está inacabada, mas não como algo que se deixou de fazer, mas sim como algo que a cada dia podemos acrescentar.
Acho que é preciso ter atenção a nossas crônicas inacabadas. Enfeitá-las, utilizar recursos para enriquecê-las, procurar palavras que se encaixem, escrever corretamente. Assim, quando vier o inevitável ponto final, ela será uma bela obra, que há de enriquecer outras crônicas, que ainda estão inacabadas.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Você
Venha você
Assim sem querer
Venha agora você
Que pode me dar a mão
Que pode não me deixar só
Quando meu coração se encolhe
De frio e agonia
Nessa noite recorrente
Venha você
Assim sem querer
Venha para sempre você
Que pode fazer meu corpo tremer
E meu coração se agitar
De amor e alegria
Nesse dia tão contente.
Assim sem querer
Venha agora você
Que pode me dar a mão
Que pode não me deixar só
Quando meu coração se encolhe
De frio e agonia
Nessa noite recorrente
Venha você
Assim sem querer
Venha para sempre você
Que pode fazer meu corpo tremer
E meu coração se agitar
De amor e alegria
Nesse dia tão contente.
domingo, 2 de agosto de 2009
Pelo dia dos pais
Saudade não é apenas saudade.
Saudade é a lembrança de todas as coisas, todos os momentos, todas as palavras, os sentimentos, as vivências que tivemos e que jamais são esquecidas.
Saudade é o lamento por todas as coisas que deixamos de falar, de fazer, pelas madrugadas que não ficamos mais uma hora conversando, pelas viagens que deixamos de fazer, pelos lugares que deixamos pra visitar da próxima vez, que não existiu.
Saudade é a consciência triste de tudo que eu vivi depois que você partiu, e do quanto eu gostaria de ter partilhado com você, é pensar, em um momento de dor, do quanto seu ombro seria amigo, e em um momento de alegria, do quanto a sua presença o tornaria ainda mais alegre. Saudade é saber que todas as conquistas serão sempre marcadas pela falta que teu sorriso amigo pra me dizer que está feliz por eu ter conseguido.
Saudade é a certeza dolorosa de saber que existe toda uma vida pra ser vivida sem você, e que ela será boa sim, mas não terá sua presença.
Saudade é a lembrança de todas as coisas, todos os momentos, todas as palavras, os sentimentos, as vivências que tivemos e que jamais são esquecidas.
Saudade é o lamento por todas as coisas que deixamos de falar, de fazer, pelas madrugadas que não ficamos mais uma hora conversando, pelas viagens que deixamos de fazer, pelos lugares que deixamos pra visitar da próxima vez, que não existiu.
Saudade é a consciência triste de tudo que eu vivi depois que você partiu, e do quanto eu gostaria de ter partilhado com você, é pensar, em um momento de dor, do quanto seu ombro seria amigo, e em um momento de alegria, do quanto a sua presença o tornaria ainda mais alegre. Saudade é saber que todas as conquistas serão sempre marcadas pela falta que teu sorriso amigo pra me dizer que está feliz por eu ter conseguido.
Saudade é a certeza dolorosa de saber que existe toda uma vida pra ser vivida sem você, e que ela será boa sim, mas não terá sua presença.
Saudade é o amor, o amor que nasceu com a gente, o amor que foi construído, o amor que foi descoberto assim, de repente, como se não soubéssemos que poderia existir mais amor além de pai e filha, e a saudade também é esse amor – o amor de amigos, o amor de almas irmãs que só depois é que vimos.
A ti, meu pai, minha saudade.
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